31 agosto 2007

Juventude



Desde quando as arvores foram tão grandes?
Eu não me lembro.

Me lembro de quando eu era velho,
de quando ficava cansado com facilidade,
de quando as distâncias não existiam.
Alias, elas não existiam porque não havia pra onde ir.

Agora me vejo num mundo tão vasto
Com distâncias inimagináveis
E árvores tão grandes.

Esse mundo de agora me faz ter medo
medo de um lugar desconhecido
ou medo de um lugar conhecido demais.

Agora eu tenho noites e dias
Tenho uma Lua, Ah! Que lua.
Lua essa que me mostrou
que mesmo a noite existe luz
E ela é a minha maior descoberta.
Ou foi ela que me descobriu?

Bom, não importa.
Agora eu sei que não estou sozinho
Que tenho um caminho e ele é grande
Tenho árvores e mundo novo.

Tenho minha Lua
e minha esperança de um dia
poder encontrar um mundo melhor que este.

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Faz um tempo que escrevi esse poema. Mas ele é tão atual, como ele mesmo diz, que resolvi expô-lo aqui.

26 agosto 2007

Escondi doce, Mente!



Agora pó, devagar
E vai com, tente
Eu mais que co-mente
Você menos, prezaria
É raro formato, não quero
Ah, o que lê não é sonso
É pra já, mais outra vez

Linguagem sem meta



Peço passagem, licença
sem ofensa ou desavença
Para sua mente
Que não mente
Insanamente

Adote uma rima
Ela é pobre, vai notar
olhe com carinho
não fique em cima
ela vai falar
viu que facinho?

Não falo de mim
Cara de carente
Pois aí só assim
Eu fico gente
Mais rica e faleira
Assaz agradecida
É claro, da minha maneira
Feliz da vida
Como a chaleira

24 agosto 2007

Seja



Vamos lá, "o próximo"
Seja lá quem você for
Não é próximo
Seja lá quem queira ser
"O próximo"
Seja como eles precisam
Como eles querem

Seja criativo "pô", ético!
Seja motivado
De lata, atado
E isso, é claro
Se já tiver um diploma
Se já souber o axioma
Seja a soma e um produto
Pois somos todos iguais, siga!

- "Cê" já voltou calma varias vezes!
- Se já voltou, calma.
- Seja calma.

Não seja você, enquanto puder
Aliás, quando você pode?
Respire, é a sua vez
Ou seja, "o próximo", senta e me beija.

21 agosto 2007

Surdo e mudo

Maré
Eu não tenho nada a dizer. Eu digo isso sempre.

Não falo porque ninguém me entende
Minhas frases voltavam sempre com outro predicado
Pra outro sujeito
Também não ouço mais
Pois quando não eram minhas as palavras
Também não eram de outras

Descobri assim que aprendo mais sobre mim
Sobre os outros
Encobri o mais freqüente
Substitui em sutileza

Perdi algumas pessoas
Ganhei amigos e cumplicidade
Perdi a pressa e ganhei humanidade

E se os que comigo vêm
Puderem de fato só sentir
Então abdico também deste sentido
E assim como nos dias de hoje
Viveria sem tanta desinformação

18 agosto 2007

Acé falou.

Cabeça sem membros
Membros em segundo plano
Plano sem operação
Operação sem bisturi
Bisturi em poucas mãos
Mãos à beça, sem cabeça

Penso no ridículo
Tenso versículo
Senso do verídico
Tendo testículo
Venço e desisto.

15 agosto 2007

Homenagem



Uma homenagem ao Blog da Carol (Divina Comédia).
Este abaixo foi o meu comentário baseado no post dela ("
O que não dá pra disfarçar"), ou como ela gosta de chamar elegantemente, esse poema foi patrocinado por Carol.

Um só

Um momento a mais é que queria
um tiquinho sequer era suficiente
Depois de um dia cansado
Da fonte seca
Do amor abalado

Agora a falta é contada
Sofrida, esperada
Volta e meia e meia volta
E está lá o momento a menos
Sabe-se tudo o que pode saber
Do outro e do um
Pede-se perdão por saber demais
Fala-se do querer sem o poder
Mas o que mais se fala... se vê
Nos olhos dos amantes
Nos gestos mais simples
Nas entrelinhas

Muda a roupa, fica a polpa
Tira a fita, volta a dica
Pula etapas, vai pro começo
Para a cena e cai no contexto
E o pouco... eterno.
Doce é sonho de se tornar o outro
Que já é o um

12 agosto 2007

Plano



Tem um pedaço de mim que vai com você
O outro eu deixo pra te reconhecer
Conto pra ele um segredo
Que o outro está para saber

Montei um plano novo com o meu
Contamos os dias, mas sem ninguém saber
Fazemos coisas normais para enganar o tempo
E escrevemos poemas para guardar, te agradar

Espero que o que foi com você seja obediente
Te faça tão ou mais feliz
E que volte
Pra nos completar

Das linhas que eu apago
Sobram outras que afago
Palavras que um dia tentaram
Um sentimento vencer

11 agosto 2007

Modelo Clássico

Modelo Clássico

Para começar a escrever eu pensei em várias coisas
Dentre elas um título
Aquele título imprestável
Consequência de um esforço
Causa de uma vida

Presto atenção nos mínimos detalhes pra não perder nada
Encontro o que não tinha procurado
Que põe em cheque a atenção de outrora

Preferi deixar o mais simples de todos
Fácil de encontrar
Aos olhos do navegador
E memória dos bobos

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