09 setembro 2010

O vilão

O artista é um striper nato. Gosta de se despir, ainda mais se for um anônimo. Dá a cara a tapa, mas não a sua, a de um laranja que ele mesmo cria. Se reserva no direito de disfarçar e até mentir os nomes e as histórias para que seu segredo fique assegurado.

São nessas estórias e contos que seus sonhos se tornam realidade e o poder de manipular as pessoas finalmente é possível, pois são suas crias. Manipula detalhes fazendo o leitor olhar para o lado mais forte do monstro, deixando os flancos desprotegidos do nosso dragão escritor se safar mais um vez. Ele brinca ao passo que deixa você, pobre leitor indefeso, pensar que está no controle. É um jogo arriscado, mas que termina em vitória pro autor quando vê que a discussão passa longe do alvo e acerta bem no meio do seu ego, inflando-o. Ahh, como não se viciar com tal sensação! Presas brigando entre si quando ele, o responsável pela briga, está sentado tal qual um imperador que acena e escolhe o vencedor para o ultimo golpe de misericórdia. E ainda recebe elogios, comendo-os como uvas servidas pelas mais belas mucamas e as críticas ruins são os os caroços que ele cospe em lugar fértil a fim de que dali passam brotar bons frutos no futuro.

A metalinguagem seria como um tiro que sai pela culatra, um fruto da criação, um delator espião que tenta sabotar os planos dos poetas e instaurar um golpe de estado. Há tempos ela tenta ser mais clara e objetiva, mas cai nas garras de sua natureza, sua origem, seu sangue, como uma piada para alegrar a nobreza, é o bobo da corte.

Alguns artistas insistem que só querem te entreter. Mas não se engane, pois como bom contador de estórias ele é um mentiroso nato. Então, muitas vezes, de vítima você pode passar a cúmplice.

1 co-mentários:

Patricia disse...

Gostei muito desse. Não sei se me sinto culpada, vítima ou cúmplice.

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