21 agosto 2022
Casulo
03 agosto 2022
A forma
Desce pela garganta uma forma estranha
Quer me matar
Quer minha entranha!
E ela me quer e ela me ganha
Faz do meu corpo morada
Do meu sangue sustento
Tem um pouco de nada
E um muito do tempo
Vê-se que nela eu me tenho
E tu também se assemelha
Sofro franzindo o cenho
Ao sentir uma pequena centelha
Queimo agora por dentro
Atado e sem alento
Vencido por um momento
Mas aquecido com seu lamento
Vá-se embora dissabor e amargura
Vinde pronto, ó ternura!
Quanto mais quero mais invento
Uma mentira para apartar meu sofrimento
Nesse caos se fulgura
Não digerir não é opção
E esperar parece sensato
Pois se foi nascido da negação
Será vencido pelo anonimato
05 novembro 2016
Poderes
Pode ser Pepsi?
Pode ser só até o final desse ano? Desse mês? Dessa semana?
Pode ser só até a metade?
Pode ser só mais um pouquinho?
Pode ser mais rápido?
Pode ser mais devagar?
Pode ser só até eu me formar?
Pode ser só até quando eu tiver dinheiro?
Pode ser quando eu me casar?
Pode ser uma estrela
Pode ser só um pedido qualquer
Pode ser que eu não esteja pronto
Pode ser só até eu ficar independente?
Pode ser só até quando eu quiser parar?
Pode ser um pensamento bobo
Pode ser agora
Pode ser que eu esteja errado
Pode ser até a chuva acabar?
Pode ser até a polícia chegar?
Pode ser até darem falta
Pode ser apenas um momento
Pode ser mentira
Pode ser um engano
Pode ser tanta coisa
Pode!
Pode tudo!
Quando é você mesmo que responde.
20 outubro 2016
Happy hour
Um toque seco
Um olhar
Uma vida
Um mundo a escutar
Que vida vive a me espreitar?
Mora um desejo aqui como mora lá?
Fazem perguntas bobas como se encontra cá?
Tinha um abismo pra pesquisar
Mas só o que eu pensava
Era como chegar na borda que tinha acolá
Fazia sentido a rima
Fazia sem pensar
Fazia uma em cima
Fazia com um pesar
Era gente diferente
Era um desenrolar
Via luz e gente alegre
Mas só tinha eu a procurar
Todos estavam à caráter
Numa espécie de descontar
Conta um assunto de perto
Vai logo se deslocar
Paga a conta
Sai de fininho
Fica um conto
Vai um pontinho.
Estábulo cheio
Produzo o vazio pra colher o nada
Cheio de liberdade
Ingenuidade
Monto um grande espetáculo
Saído de um tabernáculo
Protagonizado por um grande oráculo
Ele encanta a platéia
Aprisiona a atenção
Converte a atéia
Canta uma canção
Enquanto faço tudo isso
Crio falas sem rimas
Um joguete sem final
Uma cena, um vício
Do bem e do mal
Pra me dizer que o aplauso
Não foi pro meu lapso
Mas pro artista e seu iminente colapso
11 janeiro 2016
Tic tac
Uma raça que está em todo canto do globo
Que é bonita, que se veste assim como se despe
Vive a vida como se ela fosse durar pra sempre
Comete erros como se eles sempre fossem únicos
Acham que são únicos, mas são
[Só que não]
Vêm e vão
Em alto e bom som
Dizem, aos 4 cantos, o que querem mas não têm
Têm tudo o que não precisam
e precisam se desculpar, pelo não dito, pelo mal feito, pelo oceano, pelo grande engano...
Uma raça que acha
Mas perde também
A humildade, o dia, a noite e o pôr do sol
As palavras, o adeus e o fôlego
Muitas qualidades e muitos defeitos
Muita cidade, muitos prefeitos eleitos
Muita gente, muita mente
Aliás, quem seria eu no meio de tanta evolução?
Se eu soubesse à que estou evoluindo...
Talvez fosse a hora de dar um passo pra trás
.
19 novembro 2015
Talvez
Talvez hoje ela apareça
Talvez a campainha toque
A foto não desfoque
O coração não apodreça
Meu dia começa com um quase
Quase não acordo a tempo pra poder sair
Quase não recordo o tempo que você se foi
A parte do meu corpo que ainda dói
Da ficha que demorou a cair
Meu dia começa com um som
Som da minha respiração
Som da falta da sua
Da lembrança nua e crua
O sussurro da imaginação
O meu dia começa devagar
Devagar eu me reconheço
Devagar eu deixo sonho de lado
Abro o chuveiro e nado
Nas águas que renovam, recomeço
O meu dia começa porque ele não sabe fazer diferente
Diferente da noite
Diferente do que eu queria que fosse
De um punhado de doce
Que açoite!
O meu dia começa com um talvez
Talvez eu cometa os mesmos erros
Talvez eles sejam maiores
Ao vivo e à cores
Sem medo, sem rima.
16 outubro 2015
Abalo cínico
Tiro certeiro no coração
Doce
Com ou sem ti, mentos, eu sou mais você do que eu
Que seja consentido o nosso amor sem sentido
Que seja pra que não falte por não ter tido
Nesse gosto entretido eu me deixo
Em meio aos lados opostos da nossa confusão
20 maio 2015
À vida
O lúdico e solitário
Rebento de mim mesmo
Dono de mim
Dono da minha vaidade
Da minha verdade
Dono da minha quietude
Do meu medo de altitude
Me cansa a forma como eu me cuido
Me faço sobreviver frente as farsas
Da forma como encaro de frente
Frente aos descuidos da minha mente
Me canso de ser o avesso
De ter pouco apresso
De parecer o que não pareço
De não ter um terço, nem a metade
Tenho medo e isso me cansa também
Saber que o que tenho não me faz ir além
Mas me mantém, como refém
Me canso de fazer tudo
De ser o começo, o meio e o fim
Decidir entre o bem e o mal
Ser sem forma, informal
Longe de mim
Canso da procura
Da falta de postura
Das fantasias sem uma costura
De sonhos sem cura
Me canso da facilidade como descubro
A felicidade que há nos outros e não há em mim
Me canso da ver o que há através
De ser aquilo que tu não és
Me canso de achar que divagando eu posso me curar
Me canso de estar certo
Me canso de ser o paciente, o médico e o remédio
A sala de estar e não estar
Me apodreço de tanta esperança
De um romantismo crônico
De estar errado
De ser muito mais do que o mundo me trouxe
Me embebedo por tamanha consciência
Me canso porque a minha vida é me cansar
Talvez fosse diferente se eu a ela me ausentar
E a mim mesmo aceitar
Que no fim haverá um descanso
11 maio 2015
Aparentemente
Momento de ouvir
Aquilo que quero
Aquilo que não quero
Aquilo que acho que preciso
Aquilo que acho que não preciso mas na verdade é o que realmente preciso
Silencio dentro pra absorver e organizar o barulho que vem de fora
O barulho aqui dentro foi suficiente já, até demais
Faz necessário um respeito
Da carne que me sustenta
Da cama que me aceita
Dos ouvidos internos, que estão cansados
Da mente que não mente
Da verdade que é cega
Da solidão que não nega
Então eu posso respirar
Continuar a ser gente
É hora de ouvir o som do mundo
É hora, minuto e segundo
O tempo bate e te leva
Um pedaço meu, um pedaço dela
Uma tatuagem, uma imagem
Uma homenagem
03 março 2015
Criando raízes
Ao estalar os dedos eu percebi que eles eram feitos de madeira. Boa parte de mim começou a ranger e parecer que estava estalando, a ponto de desabar.
Folhas cresceram em minhas pernas, mãos e braços. Meus pêlos se tornaram espinhos, mas não me machucavam.
Uma grande copa a minha cabeleira se tornou, e abrigo para alguns pássaros.
Meus pés ganharam formatos de raízes, e meus dedos se alongaram e entraram pela terra a procura de nutrientes e água.
Meus olhos agora não tinham mais utilidade, dada minha locomoção.
Eu não tinha mais pra onde ir, e ao invés disso agora todos estavam à minha busca, minha volta, em meu abrigo.
Eu não queria mais me mover, queria apenas tocar esse planeta que me segurou por alguns anos.
Faltavam essas raízes, faltavam os raios do sol que sempre me procurava.
Agora sou amigo do vento, da chuva e dos bichinhos que me usam como casa ou trampolim.
O tempo é meu carteiro e de agora em diante ele já sabe onde me encontrar.
20 fevereiro 2015
Oi
Apago por que tudo não apenas parece como também é muito ridículo
Sou um ridículo
Não estou aqui tentando que você sinta pena por essa minha indagação, apenas o sou
Apago porque não foi o suficiente para se acender, se ascender
Já coloquei muita porcaria pra fora porque não cabia mais aqui dentro, onde eu guardo tanta coisa importante e preciosa
Preciosa ao ponto de me deixar um colecionador maníaco
Que olha pra sua coleção de coisinhas guardadas, lustradas... admirado
Mas apagar só foi conjugado hoje, antes era executado
Eu passei um tempo sem escrever, é verdade
Passei porque o prazer me tomava o tempo e me faltavam palavras
Não que hoje eu as pertença
Talvez se façam mais necessárias, sem desavença
Eu tinha minha catarse de outra maneira, minha inspiração
Hoje preciso expirar, deixar sair
Tá tudo muito apertado aqui dentro, não mais me alimento
Tá fazendo muita falta a dona disso tudo, tá tão perto e ao mesmo tempo tão longe
Ela quis assim, e que assim seja
Minha vida, minha cereja, minha narceja.
12 agosto 2014
Diretor de si, sem dó
01 julho 2014
Seja falta a nossa vontade
O que te deixa feliz é o que te deixa com mais
Com mais de você mesmo
Seja por falta ou não
O seu tempo passa a passar mais
Mais devagar
Feito corpo nu você se mostra
Mostra mais...
Mostra menos...
Você entende...
Pode faltar, mas você sabe que
No fundo é simplesmente pra você
Pra você que todas as verdades importam
Mesmo sendo só suas, mesmo não sendo cruas
Seja na presença ou na falta
Que você sente
Que você mede
Mede esforço algum pra deixar
Deixar de lado os copos meio vazios, meio cheios
Cheios de certezas que não te adiantaram de nada
Que seja
Que esteja
Que veja que a sua visão é a sua inimiga
Inimiga incerta
Que hora acerta
Mas você esquece quando ela erra
Se te dói ser você mesmo
Se te dói olhar o espelho
Isso é o reflexo de uma falta
Falta de você mesmo
Não é o que falta que te faz chorar
É o que te sobra que você não quer mais
Se tem, que seja falta a sua vontade
16 maio 2014
Sabe-se lá
Ele afaga e afoga
Ouve a bossa à beça
Como se comesse
Como se começasse
Aliás, alheio a tudo isso ele começa
E termina antes do tempo
Porque não tem paciência
03 dezembro 2013
Língua Corrente
Um spam
Um espantalho da vida própria
Uma sobra
Na lixeira
Uma corrente de tornozelo
Um passo
Um passado sombrio
Uma cobra
Na cabeceira
Uma corrente sanguínea
Um vírus
Um vislumbre doentio
Uma corda
Pra se enforcar
Uma corrente marítima
Um homem
Uma homenagem póstuma
Um náufrago
A relatar
Uma corrente
Sem uma forma aparente
Vai começar
Uma corrente
Totalmente diferente
De acontecimentos
Interligados
Conectados
Uma corrente
Que te prendia
Já não prende mais
Você é livre
Sempre foi
07 novembro 2013
Falta tempo
14 outubro 2013
Sem essa tez
Ela me segue de volta
E insiste em me mostrar
Que não tem pra onde fugir
Daquilo que tem dentro de você
Porque é isso que é
Eu sigo as regras
E elas me seguem
Atropelando as minhas ingenuas formas de controlar
Queria ser descontrolado
Controlado por quem quer que seja
Menos eu
Eu sigo amigo
Covarde como só eu sei ser
"Mas eu juro, juro que tentei"
Digo isso pra me confortar
Mas no fundo eu sei
Que estar vivo aqui e agora é a prova de que ainda falta algo pra tentar
Falta mais pra machucar
Não é força, é teimosia, é egoísmo
Que seja
Eu sigo ela
Quer dizer, não sigo mais
Que seja assim
Talvez eu me esqueça
Que a esperança da amnésia
É falta de memória recente e não muito recente
Ressentimento
Recente... re-sente, você sente Rê?
Eu sinto, eu sinto muito mesmo
Eu não precisei perder pra dar valor
Pois já sofria antes de perder
É tão grande que conversa comigo com uma personalidade própria
Não é mais eu, nem você, somos nós
Não é silêncio, é falta de barulho
Não é loucura, é sensatez demais.
02 outubro 2013
Existe um silêncio que não cabe
- Era pra existir um pouco de magia nesse momento! - pensou ele em voz alta.
Mas não, ele não se via tocado, seja pela Lua, seja pela Terra debaixo dos seus pés. Talvez estivesse em órbita, não se sabe.
- Isso daria um filme, ou melhor, não.
Era a primeira vez que ele se viu como um expectador, e se sentiu desinteressado. Tinha algo que o estava incomodando. Um morto-vivo no sótão, chamando pela sua atenção.
Descabia virtude onde antes eram só medalhas
Sabia, que a cada passo pra frente, dois eram pra trás
Vivia de migalhas
E tudo que antes fazia, agora não faz mais
Escrevia pra se distanciar
Era como se pudesse guardar
Mas era tão grande que em si não cabia
Mesmo que seu peito fosse um hangar
Tudo voltara a ser cinza como ele odiava
Fingia que tinha aprendido a gostar
Se soubesse como dessa sair
Talvez nem isso fosse lhe acalmar
Saber não tinha importância
Porque ele não queria tentar
Como pode algo ser tão insistente e ingênuo ao ponto de ainda perdurar?
Parece uma invenção da sua cabeça
Mas no fundo ele sabe que é
O problema é que pra ter consequência
Basta não se ter o que quer
Existe um silêncio que não cabe, não tem cabimento
Precisa ser calado
Persiste o desaparecimento
A falta, o ser amado
Abriu a janela
Pensou consigo:
- Consigo?
- Consigo! Com ou sem, você consegue
Não se cegue
E a vida segue.
Existe um silêncio que não cabe, não tem cabimento
Preciso ser calado
07 agosto 2013
Jornal
Vamos ler o jornal
Afinal
Que mal poderia ter?
Afinal
Que mal poderia a mim fazer?
Se eu nem mesmo eu ali estou
Se nada daquilo me afeta
Se o texto não atinge sua meta
Que é de me afeitar
Atacar, matar por dentro
Esse ser tão louco e sedento
Sedento por ignorância
Mas que não perde a arrogância
De falar como quem por cima olha
Como quem, não importando a que chuva se acometa
Não se molha
É melhor que fique assim
Que não se intrometa
Na vida alheia
Alheia
Alheia
Alheia
Alheia à vida alheia
Alheia...
Que siga sua vida
Sem o tal
Jornal
15 julho 2013
Subjetivo
Um profundo desgaste daquilo que era pra ter ficado como essência
09 julho 2013
Vinho tinto
Demonstro minha aflição
De um cara que não sabe falar
De uma mente que não quer calar
Sobre-humano a disputa interna
De querer contar todos os segredos de cara
De esquecer a parte da conquista
E partir pro amor à primeira vista
É claro que nada disso vem fácil
Seria muito estranho se não fosse dócil
[No começo]
Mas parece que tudo só espera
[O meu tropeço]
Ele tenta me embriagar
Me tirar do controle pra me controlar
Abrir uma janela
Respirar
Agora eu sinto
Não, minto, não sinto
Deve ser o vinho tinto
De onde eu tiro tanta conclusão?
Talvez eu esteja saindo da minha direção
Não faço mais sentido
Agora eu sinto
Não, minto, não sinto
Deve-se ao vinho tinto
Acabo de me lembrar
Que a dúvida é pra dialogar
Então fique com a minha pergunta
A quem você quer enganar?
Sinto muito
Minto, não sinto
Deve ser o vinho tinto
Era pra ser uma mentira
De quem só faz por brincadeira
No intuito de que de alguma maneira
Sua mente descubra que nunca caíra
Nessa besteira
Queria tanto... minto, não queria
Era só mais um vinho tinto.
28 maio 2013
O Castelo e o dragão
Denote
Note
Que a nota que agora anotas não é musical
e nem era pra ser
Era mesmo pra ninguém ler
E se entreter
Tu não anotas porque não tem o que notar
Sua atenção é virada, desvairada
Se a presta, empresta e nunca mais a tem de volta
Corre por ai a solta
Sem escolta
Olhe
Vem vindo alguém
Será que sabe como ir além?
E se não souber, o que é que tem?
Você aprende
...
Ah não, não é ninguém!
...
(Amém)
21 maio 2013
Ar alto, raro efeito
Que me vem de encontro
Talvez um empecilho
Meio assim, meio de canto
É um solavanco
Que me tira do compasso
As vezes nem me tento
As vezes nem me acho
É um suspiro desacordado
Pra me desequilibrar
Porque sabe que meu adorno é dissimular
Daí então eu me pergunto:
Com quem mesmo que eu me pareço?
Com a apatia de antes ou com o desinteresse de agora?
Sou apostas de que um dia vou perder
Sou pergunta nunca querendo responder
Então, que seja declarada a paz
Os dois lados se rendem
E todos perdem para poder ganhar
Uma mesmice disfarçada de sossego
Uma voz do que todos querem
Que entra pra ensaiar o desapego
Faz o que ninguém você faria
Ela não tem nome ou identidade
Mas atende por democracia
29 abril 2013
Coma
Talvez a lembrança ainda seja do mundo do mesmo jeito
Talvez o mundo seja lembrado do mesmo jeito que eu lembro
Talvez o jeito seja ter mundo ainda na lembrança
Talvez o mundo ainda lembre do seu jeito
Talvez não haja jeito
Nem lembrança
Nem mundo
Só existe a dúvida
25 abril 2013
Fantasma
Sou um sopro
Eu nunca amito
Eu nunca sofro
Abro minha mente
Pra todo tipo de gente
Desvirtuo a razão
Pra uma lógica menos inteligente
Quem sabe assim não me distraio
Com outras vertentes?
Quem sabe assim não me distraio
Com outra gente carente?
Fico com a dúvida por ela não tem fim
Escolho uma saída, mas não saio
Quero saber o que ganho se ficar..
[Observando de soslaio]
Penso que fazendo assim
Sou menos aparente
Pena que eu sempre esqueço
Que sou fantasma transparente
11 dezembro 2012
Economista
Falando só o necessário
Sendo direto, focado
Enforcado, forçado a economizar
Economista do nada
Reduzindo o custo, a que custo?
"Nada é de graça!"
Prevê o susto, sem graça
Abraça a massa sendo só
Sente falta da taça, do vinho, do desperdício
Mora em seu próprio hospício
Sem auspício
Mudo em seu palanque
Exigindo platéia pro seu comício
Sem desperdício, só o necessário
Sério, sem fala, salafrário
Mal interpretado, apertado, abreviado
"Falta de consciência
Vai à falência"
Desse jeito vai acabar
Não pode usar
Vamos ponderar, reduzir
Evita, guarda pra si
Economista, de nada
Obrigado a regular
Manter a manada
Segurar a onda
Repensar, aguardar
Perdeu tanto guardando que aguarda a eternidade pra não ter que perdoar.
07 novembro 2012
Acorde musical
Te teletransporta
Abre uma porta
E se aporta
Fica e evanesce
Com outro sentido
Sem ter tido
Pra si
Entretido
Pra ti... Comportar
Abortar a realidade
Ter saudade
Da maldade de criança
Esperança
Nada que não se possa ter
Amadurecer
Amanhecer... acorde.
22 outubro 2012
Olá, tem alguém ai?
Você abre uma brecha pra poder deixar o ar lá de fora entrar, com medo de entrar demais e esfriar a lareira que agora só é brasa morna. Você ainda consegue fazer o sorriso da Monalisa achando que pertencerá a um grupo que nem mesmo existe e que mesmo assim não quer você.
Era pra soar melancólico sem nexo, mas infelizmente você se vê nessa sangria. Era pra ter sido passado, mas ninguém o quer, ...embrulhe-se pra presente.
Era pra ter sido abatido a muitos anos atrás, junto com a manada que pertencia, mas foi arredio e fugiu e olha no que deu! ...agora quer voltar.
Anime-se, vá! Se fosse verdade você está no lucro, e você não está, ou está? Logo se lembrará que tudo isso não passa de umas palavras mal escritas e que tudo deve ser mentira, provavelmente.
19 outubro 2012
Eu tenho pena
Tenho pena porque só elas sabem do que estou falando
Tenho pena do escuro, porque, é claro, ninguém o vê
Tenho pena da luz, porque esconde a fonte
Tenho pena dos desiludidos pelo amor
Tenho pena da moça que só tira a roupa porque sente calor
Eu tenho pena da família do suicida
Tenho pena da carne moída
Tenho pena do rei no castelo, da côrte e da nobreza
Tenho pena da lei do martelo, da sorte e da lerdeza
Tenho pena daqueles que dependem da mesma
Tenho pena dos que esperam
Tenho pena dos que perdem tempo
Tenho pena dos que cuidam
Tenho pena dos que guardam rancor
Tenho pena de mim e quem mais for
Tenho tanta pena que não me esqueço quem eu sou
Sou uma ave que de tanta pena não sabe levantar voo
17 outubro 2012
João bobo
Deixa eu fingir que somos unidos, que temos conexão
Deixa eu fingir que temos uma vida normal, que temos algo em comum
Deixa eu fingir que o nosso futuro é promissor, desejado por qualquer um
Vamos fingir que não temos nenhum contrato social, contrariando a realidade
Vamos fingir que de vez em quando sentimos saudade
Vamos diminuir a intensidade da luz para fingir que temos interesse no que não estamos vendo
Vamos fingir que temos, mesmo não tendo
Vamos amaciar a carne e comê-la crua
Vamos fingir que essa carne é minha e não sua
Vamos amolecer os corações dos outros amantes com nossos beijos
Vamos fingir que esses beijos são músicas com lindos arpejos
Eu preciso fingir que dizer é não mentir
Eu preciso dizer que fingir é como não sentir
Eu preciso agora dizer que eu sinto, sinto muito
E eu preciso dizer que eu fingi o tempo todo
Eu te amo, foi tudo um engano
Era pra ser uma brincadeira, eu sou um bobo... seu bobo.
14 outubro 2012
Triste fim da bolsa de valores
Era muito rico e por isso distribuía o que tinha de mais precioso aos outros, não importasse quem. Assim ele recebia de volta muito mais do que entregara, e guardava para si. E com isso ele juntava uma fortuna que todos os dias a noite ele as trazia novamente na cama, antes de dormir, e ficava admirando sua riqueza... É fato que no final do dia toda ela era utilizada e era necessário juntar mais o mesmo montante, pelo menos, no dia seguinte. Seu bem era perecível, sua riqueza não podia ser acumulada.
A casa de Adalberto também era muito rica, obviamente, e era muito visitada pelas pessoas que compravam os serviços de seu dono, que vale aqui salientar, sempre fez questão de nunca cobrar por isso.
Se passaram alguns anos e o nosso protagonista se viu em uma situação difícil de lidar. Algumas pessoas não queriam mais a sua riqueza de graça e preferiam a miséria, coisa que ele não conseguia entender. Ele não teve escolha a não ser cobrar para que ela fosse entregue, uma vez que agora sim as pessoas permitiam, pois era a nova forma de se distribuir o que se tinha. Era preciso cobrar antes para depois entregar. Chamavam de troca.
A troca por um momento fez seu papel e parecia ser realmente a reinvenção da forma como Adalberto lidava com suas riquezas, e não só dele como a de todo o mundo. O fato é que nada mais era feito sem troca. Tudo era cobrado e antecipadamente, mesmo sem ter nada para distribuir as pessoas cobravam. A cobrança já era feita sem medida alguma, ao ponto que os bens foram se esvaindo e só sobraram as contas, as dívidas e a miséria generalizada. Adalberto não conseguia mais doar sua fortuna porque diziam não poderem mais pagar por ela.
A riqueza era a alegria, o sorriso, um abraço, um olhar... uma cia.
04 setembro 2012
Visão turva
Amontoada, queria não estar naquela toada, queria deixar de ser e estar para permanecer, ficar
Era saliva molhada no nada querendo ser ladra e roubada pra poder voar que nem um avião
E sua mão, arteira na arte de não se conter em um lugar e ir na contramão, queria um abrigo
Era pra ser um amigo, dizia a cabeça pesada envolta por um Sebastião qualquer
[Que faz sua mente presente ficar mais distante querendo um malmequer]
Mas ela sabia que fazia um tempo que ele sabia o que ela fazia pra ele não saber
Ele sabia tocar uma música ali dentro da sala acústica dela
Era pra ser só um show, mas ficou
Ecoando como ondas do mar
Quebrando seus paradigmas, de dentro pra fora
E fora que toda vez que ela ouvia as ondas dava vontade de dançar
Era pra ser só um som devagar, mas divagou
Não dava pra voltar atrás, ficou profundo demais
Ondas quebrando no cais
E então, ela arrumou as palavras certas e as erradas de uma só vez, tornando-as em silêncio. Só então ele pôde escutá-la e ela a si mesma também.
26 agosto 2012
Floresta sem arestas
Muitas pessoas diziam pra ele que o desconhecido podia ser algo que trouxesse esperança, motivação... mas ele é piegas e sabe muito bem o que aquilo que ele não conhece pode significar pra ele.
Essas pessoas comem coisas diferentes e dizem a todo momento o quanto estão felizes e como a comida está saborosa. Ele nunca antes precisou dizer o quanto estava feliz pra se sentir feliz, mas parece que agora nessa floresta negra ele precisa se expressar. Pôr pra fora para só então sentir o que há por dentro.
Era muita coisa nova, cada passa era observado por aqueles que não tinham com o que se ocupar. Sua vida era controlada para que não saísse do combinado, pois senão iriam colocá-lo no canto como se fosse um doente... e talvez até o fosse, visto que essa floresta a cada dia que passava parecia mais e mais o lugar mais perfeito do mundo, segundo milhares de cartazes, frases e discursos aclamados todos os dias.
Era um mar de gente que sabia a hora exata de se fazer amigos, a hora exata para compartilhar emoções falsas, se martirizar por isso e no fim pagar alguém para que os diga que estão doentes e que precisam de ajuda contínua.
Ele não sabia se tudo isso se passava porque ele tinha errado o caminho lá trás ou se era uma questão de tempo.
- No fim tudo se resume ao espaço e tempo - disse ele, querendo com isso reduzir a repulsa que sentia.
Era uma época desconhecida, o futuro. Essa caminhada teve seu curso reduzido por conta de sua observação acerca da floresta. Na verdade não havia prisão, mas todos estavam muito próximos uns dos outros e isso era necessário segundo as regras. Era preciso interagir, era preciso compartilhar, mesmo que os resultados sempre terminassem sempre na decisão do mais influente.
Ele não entendia, o quanto era preciso para que eles entendessem que só se pode adicionar quanto se tem algo para tal.
- Todos temos algo? - questionou-se frente ao chamado.
Reunião de um bocado de gente
Desunião de suas crenças, se é que tinha
Abrasão do que era pontiagudo
Pra se ter tudo em linha
E se tornar um ser mudo
Abraçou o travesseiro da informação como fazia todas as noites, a fim de encontrar um pouco do que tinha deixado para trás. Era uma luta diária, tinha que ser luta.
Desde então sua floresta se tornou a floresta negra sem árvores, habitada por seres com seus mundos, apenas seus.
E ele ficou por lá até descobrir que a caminhada não mudou de curso e sim seu passo que se tornou mais curto.
14 maio 2012
Não sabia nada do agora
É muito tempo, é tempo demais
Futuro que não volta atrás
É briga com o que já não pode mais
É menino solto
(Sabe-se lá)
É caminho certo
Pra quem nunca está
Ou se era ou será
Sabiá
Nade agora
Só tem asa pra voar?
Nem quando nem com quem
É muito tempo, faz tempo
É fruto que não cai
É um tudo que já não me atrai
É menino solto
(Sabe-se lá)
É caminho certo
Pra quem nunca está
Ou se era ou será
O nunca é confortável
Sempre, detestável
Repita aquela prece
Ande, se apresse
Nem quando nem com quem
É menino solto
É muito tempo, é tempo demais
É rio que não acaba mais
03 maio 2012
Desatino
Alimento sem nome
Engasgado, comendo nós
Existe resposta quando estamos a sós?
Tão raro, tão caro
Se não se paga adiantado, a vista
Se paga a prazo, pro infinito
Mas se paga
Ele mesmo não sabia o que era
Se ilha ou se quimera
Se no pico ou se na cratera
Sem planos, sem esferas
Sem fome
Cheio de nome
Se não é aquele que some
É o que consome
É contradito, o maldito
Inventa notas sem se notar
Adota uma postura
Exposta para atacar
Engasgado, comendo a sós
Existe resposta entre nós?
Cheio nota
Cheio de dó
Cheio de si
Cheio de tudo
Cheio de nada
Cheio da sobra de ser camarada
23 abril 2012
Vaga
Aqui tem vaga
É uma vaga vaga
que vaga
devagar...desocupada.
Devagar e sempre
De uma estação a outra
A divagar qual seria sua sina
Que na escola ninguém ensina.
Ela tem requisitos
Mitos e metas
Tamanho e tempo disponível
Ou seja, exigências.
Exige e cobra
Por isso segue vaga
Ocupa uma falta de existência
Existe na ausência
O vazio é necessário
Um nada que dá seu lugar
Um quarto vago, querendo se ocupar.


