26 agosto 2012

Floresta sem arestas

Está longe, está muito longe do seu curso normal das coisas. Ele se viu entre animais e vegetação nunca antes explorada. Era pra ser intrigante, mas ele não sabia que ali podia se esconder um grande inimigo, o desconhecido.
Muitas pessoas diziam pra ele que o desconhecido podia ser algo que trouxesse esperança, motivação... mas ele é piegas e sabe muito bem o que aquilo que ele não conhece pode significar pra ele.
Essas pessoas comem coisas diferentes e dizem a todo momento o quanto estão felizes e como a comida está saborosa. Ele nunca antes precisou dizer o quanto estava feliz pra se sentir feliz, mas parece que agora nessa floresta negra ele precisa se expressar. Pôr pra fora para só então sentir o que há por dentro.
Era muita coisa nova, cada passa era observado por aqueles que não tinham com o que se ocupar. Sua vida era controlada para que não saísse do combinado, pois senão iriam colocá-lo no canto como se fosse um doente... e talvez até o fosse, visto que essa floresta a cada dia que passava parecia mais e mais o lugar mais perfeito do mundo, segundo milhares de cartazes, frases e discursos aclamados todos os dias.
Era um mar de gente que sabia a hora exata de se fazer amigos, a hora exata para compartilhar emoções falsas, se martirizar por isso e no fim pagar alguém para que os diga que estão doentes e que precisam de ajuda contínua.
Ele não sabia se tudo isso se passava porque ele tinha errado o caminho lá trás ou se era uma questão de tempo.

- No fim tudo se resume ao espaço e tempo - disse ele, querendo com isso reduzir a repulsa que sentia.

Era uma época desconhecida, o futuro. Essa caminhada teve seu curso reduzido por conta de sua observação acerca da floresta. Na verdade não havia prisão, mas todos estavam muito próximos uns dos outros e isso era necessário segundo as regras. Era preciso interagir, era preciso compartilhar, mesmo que os resultados sempre terminassem sempre na decisão do mais influente.
Ele não entendia, o quanto era preciso para que eles entendessem que só se pode adicionar quanto se tem algo para tal.

- Todos temos algo? - questionou-se frente ao chamado.

Reunião de um bocado de gente
Desunião de suas crenças, se é que tinha
Abrasão do que era pontiagudo
Pra se ter tudo em linha
E se tornar um ser mudo

Abraçou o travesseiro da informação como fazia todas as noites, a fim de encontrar um pouco do que tinha deixado para trás. Era uma luta diária, tinha que ser luta.

Desde então sua floresta se tornou a floresta negra sem árvores, habitada por seres com seus mundos, apenas seus.

E ele ficou por lá até descobrir que a caminhada não mudou de curso e sim seu passo que se tornou mais curto.

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