06 março 2010

Tom (parte 1/2)



Por um breve momento Tom quis que esse momento se tornasse eterno. Que todo esse sentimento que estava sentindo fosse enviado para todas as pessoas ao redor do mundo tal era sua felicidade... Acordou na manhã seguinte como um viciado, pensando em como ter novamente aquilo que experimentou ontem. Mas Tom sabia que isso não poderia acontecer de novo. Ele sofria de uma maldição.

Tudo começou quando Tom encontra o que pensava ser a pessoa que continha todo o amor e beleza que ele estivera procurando por toda a sua longa, longa, longa vida de 15 anos. O breve momento em que esteve com Emma e se declarou, Tom foi a pessoa mais feliz do mundo. Este dia não é lembrado na sua memória como uma coisa bonita, mas sim como uma cicatriz. Desde então, Tom sente suas costas doendo, rugas aparecem em seu rosto, cicatrizes em lugares diversos a cada novo amor. E por alguma magia as pessoas que proporcionam isso a ele se rejuvenescem, ficam mais belas e de alguma forma imortais.



Hoje é um daqueles dias que Tom pega o telefone para ligar. Ligação feita, telefone agora no gancho, e ele se senta sentindo uma fisgada no braço. Por um momento ele fica em posição fetal se contorcendo e para. Se levanta e continua sua vida no resto de domingo que lhe sobra.

La fora todos os seus amores ainda estão imutáveis, esbanjando uma juventude que ele não tem mais. Mais de 30 anos se passaram e o mundo parece só mudar, o tempo passar só para ele. "Incrível!" ele pensou algumas vezes.

- Como podem estar todas em perfeito estado? Como isso é possível? - questionou Tom.

De alguma forma todos que tinham o toque de Tom, recebiam por ele a eternidade. Como um Midas dava vida eterna ao mesmo tempo que se via morrer.

Hoje não era mais um dia para se questionar sobre essas coisas. Tudo se foi. Ele nunca entendeu e já não queria mais entender.

- Não ia fazer diferença.

Tom continuava a ter os dias mais felizes da sua vida com o conhecimento que isso seria uma única vez com cada pessoa. Essas pessoas entendiam menos ainda o fato de não envelhecerem. Davam crédito à medicina, à alimentação, mas nunca passou por suas cabeças que tivera sido Tom o responsável por essa dádiva ou maldição de viver para sempre.

Hoje ele vai descansar e amanhã se preparar para poder encontrar um dia em que tudo isso terá um fim. Mas hoje não, hoje ele vai se esforçar para dar vida eterna a mais um amor que durou o suficiente para começar todo o processo. Foi-se o dia, nada mais.

Essa era sua sina. Se apaixonava a cada estação na tentativa até agora fracassada de tornar eterno aquilo que ele sentia em um momento mágico...

(continua...)

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